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 Escrito por ELA às 10h36 PM
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 Escrito por ELA às 04h27 PM
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Com. pulsão diária

processos primários em Com. pulsão diária



 Escrito por ELA às 08h24 AM
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Com. pulsão diária

os processos primários foram para

Com.pulsão diária

 



 Escrito por ELA às 01h50 AM
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Para aquele que reconheço de longe

"And now the purple dust of twilight time
Steals across the meadows of my heart"  - Stardust

Ecco! E o mundo reconciliado,
Ela é a desordem triunfante da irresponsabilidade e da felicidade.
Afinal, essa noite foi o máximo do luxo.
Ele velou seu sono, enquanto lhe escrevia poemas,
cantos; ao mesmo tempo louvores.
Assim, Ela reaprende a amar no clima sensual que Ele provoca.
E que bom gosto Ele tem!
Na sua audácia de esteta, lhe faz poesias,
apenas para exercitar a alma, faz milagre com a palavra.
É Ele sim. " E tu mesma, que sabes?
Conjuraste o amado a pré-história obscura.
Que sentimentos, em seres desaparecidos agitaste!
Que mulheres, nele, te odiaram!
Que homens sombrios em suas veias jovens despertaste!
Crianças mortas para ti se volveram.
Oh, retoma diante dele, docemente, uma tranquila tarefa cotidiana
 - dá-lhe a paz dos jardins e o contrapeso das noites. Retém-no" .
Essa última estrofe da terceira, das Elegias de Duíno, escrita por Rilke,
às margens do Adriático, nos anos 20, é o Ela lhe diz em silêncio. 
Viver não é fácil, para nenhum dos dois.
Tudo é efêmero sempre.
E Ela sente que tudo nele a excita.
" A nós, os mais efêmeros. Uma vez cada uma, sempre uma vez.
Uma vez e nunca mais.
E nós também, uma vez, ainda que apenas uma vez."



 Escrito por ELA às 02h06 AM
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O poeta da vila

Escreve-me poemas,
e promove-me musa in Dreamsville.
Pergunta-me temas.
Liberta-me, dreamy, da recusa,
quando diz: time is a view.
Você é o primor do amante and here we'll stay.
Você é o clown e agente do meu fantasma
e o glosador desse significante - far away.
And we do, amor, porque você é o alívio que me plasma.
We can see the rest of all smooth play.
Diante da sua charada, sorrio to our pink cloud.
Eu cruzo as pernas, hand in hand, e faço charme,
as we go exploring.
E visto minhas roupas de luxo - peles de mink para o frio.
There's no boundary to this magic.
A epifania de ser meu o poeta, galante, da diva stardust desta tarde.

(Ela ouve Dreamsville com Diana Krall &  Dave Grusin)



 Escrito por ELA às 05h10 AM
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Ha, ha , ha ...qualquer coisa. O que você quiser.

Ela acorda com o barulho do telefone. Atende.

- Vamos nos ver?

A voz dele é incompatível com o corpo;

voz de menino e corpo de homem grande, viril.

Ela sorri. Ele continua.

- Sinto saudades de você, quero dar um presente.

- Me dê um poema. Às vezes, minha fantasia é ser mulher de poeta.

 

 

Ela sabe que para Ele tudo já passou.

Faz anos que não espera nada.

Absolutamente nada. Nem das mulheres, nem dos amigos,

nem dele mesmo, nem de ninguém.

Ela resiste à sua fúria. Aprendeu.

Desejava que a amasse.

Mas, Ela sabe que é só uma beleza de mulher:

pale blue eyes (Linger on your pale blue eyes /

It was good what we did yesterday and I'd do it once again) ,

cabelo bem cortado, pele boa, costas rijas, coluna forte, pernas firmes, longas.

Era isso que o excitava a comê-la por trás.

Ela se deixa estuprar: mulher com porte, caráter e poder

que vira jorro de mel, quando Ele a domina bem.        



 Escrito por ELA às 09h48 AM
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Ela dorme

Como ia dizendo, Ela se perdeu, confundiu as placas,

seguiu sinais trocados – sins e nãos –

que Ele espalhou no descaminho.

Agora, Ela dorme solta na voragem  de um motel barato.

Já é tarde quando acorda. Em tempo, faz a noite e a madrugada,

no entreato em que a vida borda o ponto da balada,

antes que a morte arme sua dentada e morda o gozo-close

que ela teve com Ele – safo da pose.

Enquanto houver força em seu açoite,

Ela contra-ataca: urde o homem que, hoje,

lhe atiçará o fogo na margem do espasmo, antes que amanheça.

(ouvindo Why did she choose you – Gato Barbieri)



 Escrito por ELA às 01h24 AM
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Último Tango em Paris para a que está sempre alegre.

 

 

Ela acorda, ainda, pensando em Marlon Brando. Lembra-se de Paul, o americano viúvo de uma suicida - personagem do Último Tango em Paris.

E se, ao invés, do monólogo culpado, dito no funeral de sua mulher, Paul-Brando declamasse este trecho do poema A Celle qui est trop gaie, de Baudelaire?

Ainsi je voudrais, une nuit,
Quand l'heure des voluptés sonne,
Vers les trésors de ta personne,
Comme un lâche, ramper sans bruit, / Pour châtier ta chair joyeuse,
Pour meurtrir ton sein pardonné,
Et faire à ton flanc étonné
Une blessure large et creuse, / Et, vertigineuse douceur! / A travers ces lèvres nouvelles,
Plus éclatantes et plus belles,
T'infuser mon venin, ma sœur!

( Assim eu quisera uma noite, quando  a hora da volúpia soa, Às frondes de tua pessoa/ Subir, tendo à mão um açoite/ Punir-te a carne embevecida,/ Magoar o teu peito perdoado/ E abrir em réu flanco assustado/ Uma larga e funda ferida, / E, como em êxtase supremo,/ Por entre esses lábios frementes, / Mais deslumbrantes e mais ridentes,/ Infundir-te, irmã, meu veneno!” trad. Ivan Junqueira.

 

Ela, então, percebe que seriam palavras para Jeanne (Maria Shcnneider). Ou, quem sabe, os homens - seus Eles - e mais Brando, Paul, Bertolucci, Baudelaire queiram falar cruezas desse tipo, apenas,  para suas mulheres vivas, as que estão sempre alegres?  



 Escrito por ELA às 11h10 AM
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Último Tango em Paris

Why Did She Choose You?

 

Entre o hoje e o amanhã,

 

entre a noite e a madrugada,

 

entre a vida e a morte.

 

Entretempo transitivo.

 

 

It´s over, Jeannie.

 

Faça o luto desse desejo:

 

sem revolta nem tragédia de paixão,

 

sem dúvida, nem dívidas, nem entrevista.

 

O apego estraga a beleza evanescente,

 

empobrece a cena da renúncia,

 

aflora o incoveniente da permanência.

 

Goodbye (Un Largo Adios).



 Escrito por ELA às 06h56 PM
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Agora? Mas, de que forma?

"n(o)w

   

    the

    how

    dis(appeared cleverly)world

............................................

Lide.!high

    n , o ;w:

    theraIncomIng"  

                                                  trechos de n(o)w de e. e. cummings

 

Livre associação selvagem: (sim, não se trata de traduzir) 

 

Ela precisa dirigir até uma cidade próxima.

A última viagem foi uma repetição de erros:

quatro vezes, seguidas, Ela passou a entrada correta,

apesar da sinalização impecável,

a despeito de ir todas as semanas.

Foi tomada por um acesso, antes;

durante as quatro tentativas.

Ele não saía, nem sai da sua cabeça. 

Exausta Ela que saber, agora:

de que forma chegar sutilmente?



 Escrito por ELA às 02h55 PM
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Amanhece na praia

Mattina

M´illlumino

d´immenso - Ungaretti

 

Amanhece. São seis  homens primitivos

nadando na ponta mais perigosa da praia.

Lá, onde o mar arrebenta furioso nas pedras.

São homens lindos, fortes, enormes.

O chefe da horda é  seu pai; falecido há milênios.

Ela vai até eles. Mas, pára antes de entrar. Tem medo.

Eles mergulham, voltam à tona, gritam.

Ela resolve sair dali, vai para a beira da água.

Senta e espera. Eles saem e passam por Ela.

Nem percebem seu colar de pérolas 

Duas da tarde, Ela acorda. Sonho é bom, pode-se fazer quase tudo:

reencontrar pai falecido, sentar nua na areia com jóia rara pendurada no pescoço,

ver homem passar.

 

Simples assim, trampolim?!

Ah, Ela esqueceu do “Amor Líquido”.  

Abriu e fechou a geladeira umas quatro vezes,

esfregando os dedos nas pérolas.

Aflição feminina: que a musa que n´Ela acorda

e engole o café, durma.

Só para sonhar, mais uma vez, com Eles.   



 Escrito por ELA às 02h56 AM
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Simples assim: trampolim!

E gostaste. Gostavas? de mim.

Era tão sem aviso, era tão sem propósito

- trancelim -

e eu saltava delfim.

 

Não, não Ela. Páre! O telefone toca.

Ele atende; era a morena.

Como de hábito, ela recomeça uma conversa

que tivera com Ele uma semana atrás:

sem dizer o nome, sem perguntar se o incomoda.

Morena-urgência. Animalidade. Era a fera em plena atuação,

depois da trepada de sonho.

Entre os dois nós - Ela e Ele - com a morena no telefone,

o delírio aumentava.

 

Se não gostares de mim de mim de mim de mim,

sumirei na voragem no báratro, no pélago

 - votorantim -

no vórtice abissal da tristeza total do cálculo de rim.

Ah, se gostasses de mim!

 

Ela se acalma. Ele calça os sapatos e sai.

Simples assim: trampolim.



 Escrito por ELA às 02h17 AM
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Simples assim: trampolim!

Ela queria ser Drummond para gerar a Canção Flautim:

Se gostasses de mim,

ai se gostasses de mim,

se gostasses de mim

-serenim -

era tudo alecrim.

 

Ele, mais que meia - noite, ai de mim,

pensava numa mulher esplêndida, nua,

ajoelhada de perfil.

Uma morena que o violentou adoravelmente.

Sentou no seu colo, de costas para ele,

passou seu pau para frente, entre as pernas

e o masturbou como se fosse dela.

 

Ela e Ele, a sós, sem a morena, eram dois nós:

Ela drumondeando:

Se gostasses de mim

- mirandolim -

eu morria. Morria? de gozo no sem-fim.

 

Enquanto Ele pensava na morena

de clitóris de fogo, pequeno pino explosivo.

Que bela ela era :

pernas abertas, o rosto corado e quente,

os olhos azuis arregalados

e quase inocentes.



 Escrito por ELA às 01h54 AM
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Amor Líquido

Ela acabou de acordar,

cansada de ficar cansada dessas lembranças sentimentais.

Abre o jornal de domingo e lê a entrevista de  Zygmunt Bauman,

considerado hoje um dos sociólogos mais influentes do mundo,

professor emérito de sociologia na Universidade de Leeds

 e na Universidade de Varsóvia.

O autor de “Amor Líquido” diz, em resumo,

que vivemos num "mundo de fluxos" em que nada consegue

manter sua forma por muito tempo,

é preciso muita ousadia (e hesitação e bater no peito e remorsos)

para assumir compromissos de longo prazo e, assim,

hipotecar futuras oportunidades das quais ainda não podemos saber,

mas podemos ter certeza de que surgirão.

Quanto mais próximo é um relacionamento,

mais ele parece ao mesmo tempo uma promessa e uma ameaça.

Não admira que uma "rede" possa parecer uma alternativa sedutora aos laços.

Em “uma rede, como você sabe, desligar-se é tão fácil quanto ligar-se”.

Ela sabe. São encantos e mais encantos, paixões, curiosidades,

ardores supostos, surpresas. Mas, e daí doutor,

o que faço nessa rede, nessa trama rara?

Espera passar, Ela se autocensura.

Parece grave, mas a solidão é tão tranqüila.

Solidão e liberdade foram suas perspectivas desde sempre.

Deathnitely, dear como diria o poeta Duda Machado.



 Escrito por ELA às 04h35 PM
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